Pelo menos 14 funcionários do porto tinham “dedos de silicone”
Escrito por Redação
O
Ministério Público Estadual (MPE) e a Polícia Federal (PF) apreenderam,
no Porto de Paranaguá, 25 moldes de silicone dos dedos de 14
funcionários da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina.
Os
moldes eram usados para bater o ponto de funcionários que não
compareciam para trabalhar, para evitar perdas salariais. A prática foi
descoberta pela Appa e o MPE foi avisado, culminando numa operação
conjunta com a PF, realizada na última sexta-feira (21) e que gerou as
apreensões.
Na
manhã desta segunda-feira (24), o promotor do Ministério Público
Estadual, Leonardo Busatto, o delegado da polícia federal, Jorge Fayad
Nazário e o superintendente dos portos de Paranaguá e Antonina, Luiz
Henrique Dividino, concederam entrevista coletiva na sede do Porto de
Paranaguá para dar detalhes da operação.
“Encontramos
os moldes no Pátio de Triagem e no setor administrativo operacional.
Todos os moldes foram testados e correspondem a 14 funcionários
diferentes. No entanto, é possível que haja o envolvimento de mais
pessoas”, afirmou o promotor. Além dos 25 “dedos de silicone”, uma
moldeira também foi apreendida. O delegado da Polícia Federal disse que
vários moldes estavam acondicionados em recipientes próprios e tinham
etiquetas, com os nomes dos donos das digitais.
De
acordo com o MPE, há indicativo da prática dos crimes de formação de
quadrilha, falsidade ideológica e peculato, com penas que vão de 4 a 20
anos, além da possibilidade de responsabilização criminal. No juízo
cível, caso se confirmem os indícios, o MPE ingressará com ação de
improbidade administrativa que pode acarretar em multa e perda dos
cargos administrativos.
O
superintendente Luiz Henrique Dividino disse que trata-se de uma
prática bastante grave, e que a administração quer acreditar, tenha sido
pontual. “Acreditamos que seja algo pontual, envolvendo pessoas com
desvio de conduta. Vamos continuar buscando sanear isso. Estamos em meio
a um processo de transformação administrativa e nos deparamos com esta
grave situação. Não iremos tolerar estas práticas e, assim que soubemos
da fraude, prontamente comunicamos as autoridades cabíveis” disse
Dividino. “Esta prática está diretamente ligada à indústria de ações
trabalhistas que se instalou no porto e ceifou mais de R$ 1,4 bilhão dos
cofres públicos. Estamos batalhando para reverter esta realidade”,
completou Dividino.
Dividino
disse ainda que a Appa irá instaurar processo administrativo e judicial
visando o afastamento dos envolvidos para que haja a apuração devida.
Desde abril de 2013, a Appa conta com sistema de leitura biométrica do
ponto eletrônico. Todos os cerca de 700 funcionários da autarquia devem
bater o ponto desta forma em 24 relógios espalhados pelos diferentes
setores da administração portuária.
A
partir de agora, o MPE vai encaminhar a lista com os nomes dos
servidores que tinham os dedos de silicone. Um levantamento das imagens
das câmeras de segurança dos locais onde os funcionários batiam o ponto
está sendo feito. O processo corre em segredo de justiça e o MPE prevê
que em 30 dias tenha concluído as investigações preliminares.
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