É uma derrota para a conta da senadora Glesi Hoffmann (PT-PR), coordenadora do processo enquanto chefiava a Casa Civil da Presidência.
O juiz Itagiba Catta Preta Neto determinou à Agência Nacional de Transportes Aquaviários que responda às sugestões das 36 empresas do Sindicato dos Operadores Portuários do Paraná apontadas nas audiências públicas realizadas no Paraná em outubro passado.
A liminar do juiz da 4ª Vara Federal do Distrito Federal também obriga a Antaq a apresentar as respostas antes de enviar ao Tribunal de Contas da União as minutas de editais e contratos de concessão das áreas de Paranaguá.
Não são poucas as críticas ao plano elaborado por Gleisi aos arrendamentos das áreas no porto paranaense. O setor produtivo, de certa forma, comemora a decisão da Justiça Federal.
“O atual plano não contempla nenhum espaço especial as cooperativas paranaenses, que respondem por 20 milhões de toneladas de grão e por 40% dos frangos exportados no Brasil.
A mudança vai implicar e novos investimentos, que vão comprometer a produtividade do setor cooperativo”, disse João Paulo Koslovski, presidente da Ocepar, na época da audiência pública.
Demanda – “Esta proposta está diferente do que o setor discutiu no Paraná. As propostas levantadas não levam em conta a demanda local, que atende todo o mercado nacional”, disse Sérgio Malucelli da Fetranspar (Federação das Empresas do Transporte de Cargas do Paraná).
O economista Luiz Antonio Fayet lembra que o Paraná foi o primeiro estado a ter um Plano Diretor de Zoneamento de Paranaguá e de Antonina “e nada disso foi aproveitado”.
“O PDZ de Paranaguá foi feito em pleno consenso com a sociedade produtiva e organizada, levando em conta o desenvolvimento de todo o Brasil”, disse.
“A Câmara de Logística do Agronegócio do Ministério da Agricultura tem agido forte para mudar a proposta apresentada para a Paranaguá”, completou Fayet, representante da CNA na Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Agronegócio do Ministério da Agricultura.
Ausência notada – O presidente da Alcopar, Miguel Tranin, disse que o plano proposto precisa ser pensando para 20, 30 e 50 anos. “O plano como está coloca o açúcar no corredor de exportação, o que pode comprometer a qualidade do produto.
Hoje o espaço adequado é o cais oeste, que fica perto do ramal ferroviário e ajuda em ganhos de produtividade Ao fazer com que o setor dispute espaço para obter local no porto, o plano compromete o setor de açúcar e etanol, já tão prejudicado e com déficit”, disse Tranin.
“O plano não aponta nenhuma ação direta para melhorar as condições logísticas de Paranaguá. Outra falha é a mudança do modelo de Paranaguá que hoje é um porto multicargas para nos tornarmos um porto de graneis.
Isto vai comprometer os pequenos e médios produtores, que exportam por pequenos cais”, disse Maria do Socorro de Oliveira, representante dos trabalhadores portuários de Paranaguá.
Na audiência de 27 de outubro, apesar de confirmar presença, Gleisi não foi ao encontro dos empresários reunidos na Fiep.
Isso porque o diretor da Secretaria dos Portos, Rogério Menescal, desmentiu a ministra na época e disse que a proposta do governo federal previa R$ 1,6 bilhão em investimentos (até 2019) e não R$ 2,6 bilhões, conforme adiantado por Gleisi.
A senadora ficou irritada com a previsão de Menescal e pediu para ele se retratasse em nota pública.
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