quarta-feira, 16 de abril de 2014

Comunidade marítima vai desenvolver saneamento alternativo
Programa de Educação Ambiental da dragagem do Porto de Paranaguá vai ajudar comunidade pesqueira de São Miguel a criar um projeto alternativo de saneamento básico.
A comunidade marítima dá Ilha de São Miguel tem 42 residências de moradores fixos, a maior parte ligados á pesca artesanal, e mais 40 casas usadas por turistas fazendo com que haja uma média de 500 pessoas na ilha. 
 
O programa é uma exigência do Ibama no licenciamento ambiental da dragagem. Na quarta-feira (9), os moradores de São Miguel receberam informações sobre o serviço e conheceram um projeto para criação de um filtro alternativo para tratar a “água cinza” - águas provenientes de chuveiros, pias, tanques.
 
“As águas cinzas são efluentes carregados de compostos químicos presentes nos materiais de limpeza e de higiene pessoal, além de gorduras corporais e dos alimentos, que acabam poluindo rios e mar”, explica a bióloga da equipe, Gabriela Magalhães. No Diagnóstico Socioambiental Participativo, problemas de saneamento básico foram levantados pelos moradores como um dos mais críticos na comunidade.
 
Atividade – Dessa primeira palestra devem participar entre 20 e 30 alunos, além de pais e professores da escola da comunidade. Será desenvolvida da seguinte forma: nesse primeiro momento serão abordados os temas saneamento básico, situação atual da região (Estado e Município), águas negras e cinzas, impacto do lançamento destes efluentes sem tratamento, tratamentos convencionais, tratamentos alternativos e sistema de tratamento de água cinza.
 
Na próxima semana, será desenvolvida a oficina específica do sistema de filtro de águas cinza. “Na comunidade de São Miguel, algumas residências são atendidas por fossa séptica e outras não. No entanto, nenhum cuidado é tomado em relação ao lançamento de águas provenientes de chuveiros, pias, tanques (águas cinzas) diretamente no ambiente. De acordo com essa demanda, foi proposto a implementação do filtro”, completa a bióloga.
 
Mecanismo – Na oficina de construção do filtro, todos os membros da equipe técnica e as pessoas da comunidade participam de todas as partes do processo. O sistema de filtração se dá por caixas (quatro) conectadas por cano de PVC. Cada caixa tem uma função de filtração e as quatro são somadas, ao final, por um círculo de bananeiras. 
 
As caixas promovem a remoção da gordura, a retenção do material particulado e a remoção de compostos químicos. O círculo de bananeiras promove a remoção do restante dos compostos químicos que não ficaram retidos nas caixas através do processo de biorremediação realizado por fungos e bactérias presentes na cava das bananeiras, buraco contendo galhos, pedaços de madeira e folhas. 
 
Esses fungos e bactérias, que vivem e se alimentam da madeira, promovem a quebra dos sais inorgânicos através de ações enzimáticas. As bananeiras têm a função de evapotranspirar a água contida na caixa, sendo que cada indivíduo (bananeira) tem a capacidade evapotranspirar cerca de 40 litros de água no verão.
 
Durante o desenvolvimento das atividades – construção das partes, montagem e finalização – os membros do grupo de trabalho vão incitar as discussões sobre o trabalho em grupo, alternativas de tratamento de águas negras, problemática ambiental dos efluentes e o cenário do saneamento na região.
 
“O objetivo é trabalhar o pensamento e raciocínio crítico sobre o assunto saneamento e sobre possibilidades de contornar as dificuldades, seja através da participação pública ou por ações da própria organização social”, conclui.
 
Educação ambiental – As atividades do Programa de Educação Ambiental da atual campanha de dragagem dos Portos do Paraná começaram no final de janeiro. Antes disso, em novembro, porém, foi feito o primeiro contato com as comunidades, para informar o início da dragagem, trechos a serem dragados, impactos, programas de monitoramento etc.
 
Em janeiro, a primeira ação foi a educação com os trabalhadores da draga Xin Hau Niu. Nos meses de fevereiro e março, foram realizadas palestras e oficinas com as comunidades, em parceria com a equipe do Sistema de Gestão Ambiental da Appa. Em fevereiro, o tema abordado foi reciclagem e as oficinas mostram o processo com o papel. No mês seguinte, em março, o tema permaneceu, mas o objeto das oficinas foi a gestão e reciclagem do óleo de cozinha.
 
Essas atividades foram desenvolvidas nas comunidades de Encantadas, Vila Maciel, Piaçaguera e Vila Guarani, São Miguel, Ponta da Pita, Praia dos Polacos, Ponta Oeste, Europinha, Eufrasina, Nova Brasília e Ilha das Peças.
 
Além das palestras e oficinas, nas comunidades de Ponta Oeste, São Miguel, Europinha e Eufrasina, foram realizadas rodas de bate-papo sobre o tema licenciamento ambiental. O objetivo desta atividade foi promover uma discussão e compreensão sobre o licenciamento ambiental com a comunidade, com enfoque nas obras de dragagem. Os temas abordados foram: licenciamento ambiental, impactos da dragagem, área de influência, monitoramento, mitigação e compensação; papel dos pescadores artesanais no licenciamento ambiental; e questões a transformar na comunidade, essa discussão com o intuito de facilitar a elaboração de documentos e a resolução de ações próprias.
 
Para o mês de abril, o cronograma está focado na comunidade de São Miguel e, novamente, na educação ambiental da draga, que será feita na próxima semana, também, com data a ser confirmada.

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